Quando me tornei senhora

Há pouco tempo começou um fenômeno comigo: o de me chamarem de “senhora”.
Não é sempre. Mas já começou a acontecer.
No começo nem me dei conta. E ainda me causa estranheza. Aconteceu hoje, na saída do elevador do meu prédio, a minha companheira de “viagem” me deu um “bom dia pra senhora”.
Parece que foi ontem que eu ainda me referia aos pais dos meus amigos como “tio” e “tia” – sim, eu sou desse tempo… Quem é senhora já passou dessa fase, né… Não posso mais, rsrsrs.
E até ontem ainda me perguntavam no fórum, depois de anos de estrada advocatícia, se já tinha carteirinha de estagiária… Pensando bem, em uma das últimas vezes ouvi um “a senhora gostaria de ajuda pra carregar esses autos?”
Como é que o tempo nos dá uns sustos assim?
Não que eu seja uma pessoa saudosista; gosto de relembrar os bons momentos dos tempos idos, mas sempre penso que o melhor momento que vivemos é o momento presente. O único no qual podemos efetivamente atuar, valendo-nos das experiências passadas e pensando no futuro que queremos construir.
Então, acredito piamente que meu melhor momento é o agora.
E a gente vai se adaptando e vê que o tempo corre célere e inexorável pra todos; inclusive pra nós mesmos.
O fato é que o “senhor”, o “senhora”, dá um peso para o tempo… embora me sinta tão jovem como há dez, quinze ou vinte anos. Tá, tá, estou no alto dos meus 33… Com 33 dá pra chamar de senhora?
Será que é isso o que os idosos sentem quando dizem que sua cabeça é jovem mas a imagem que refletem no espelho não a acompanha?
Bom, tem que olhar o lado positivo. Existe um charme que só o verniz do tempo dá…
Só sei que espero que leve pelo menos uns quarenta anos até o próximo susto… até que venha um “ô, vovó”.
Quando falo em tempo sempre me lembro desse texto das Escrituras, Eclesiastes 3, tão verdadeiro:
3.1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu:

3.2 há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou;


3.3 tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar;


3.4 tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria;


3.5 tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar;


3.6 tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora;


3.7 tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar;


3.8 tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz.


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