A melhor idade

Tenho acompanhado o Diário de uma desacelerada, a coluna mensal que a executiva Patricia Franzini tem escrito na revista Cláudia durante o ano sabático com que se presentou em 2011, quando “apertou o pause na rotina de executiva superpoderosa e o play da mulher que tem múltiplos interesses”.
Nesse mês ela fala sobre a magia dos 40 anos, recém-completados. Faz uma reflexão de que hoje os 40 são os novos 30 anos.  E diz que “no começo da faculdade, aos 18 anos, o simples fato de imaginar que um dia eu chegaria aos 40 me dava um pouco de temor e tremor – como estaria velha e acabada! Pois aqui estou, me sentindo tão bem, tão consciente emocional e intelectualmente, que, de certa maneira, tenho muito mais prazer em me olhar no espelho do que há alguns anos”.
Interessante que a coluna da Danuza Leão, Conversa com Danuza, também versou sobre o mesmo assunto, de certa forma. Em Horário Nobre ela afirma que os 50 anos marcam o começo de uma nova vida. “O mundo mudou, que bom, e agora quem tem 50 está entrando em uma segunda juventude – com tudo, aliás, para ser melhor que a primeira”. “Entrar nos 50 é muito bom, é o horário nobre da vida. Lembre do que você sofreu em sua adolescência e juventude por coisas que não entendia – e não adiantou tentarem lhe explicar, porque só se aprende sozinha. Agora que já sabe tudo, é hora de ser feliz. Apaixone-se por você mesma, se agrade, se curta; você merece”.
Mudando o enfoque, a Você S/A desse mês traz o perfil de Florian Otto, CEO do Groupon Brasil (site de compras coletivas), na coluna Retrato de Carreira.
Florian, 31 anos, formou-se em Medicina, fez pós-doutorado em Odontologia, passou a atuar como cirurgião buco-maxilar, tornou-se consultor da McKinsey (consultoria global de estratégia) nas áreas de saúde, mineração de ferro e telecomunicações, desenvolveu projetos de financiamento, estratégia, mineração, produtos de aço, telecomnicação, saúde e logística e chegou na colocação atual, de CEO do Groupon.
Aliás, em completo alinhamento com uma das tendências da matéria 50 tendências para os próximos 50 anos, da revista Cláudia, que já foi objeto de post aqui.
“50. Cada vez menos a formação acadêmica estará vinculada ao emprego que o profissional irá conquistar. Mulheres e homens precisarão de autoeducação contínua para entender o mundo e as novas dinâmicas, preparando-se para desempenhar diferentes papéis.”
Para onde todas essas histórias convergem: é fantástico ver que nunca como hoje podemos tanto nos reinventar; seja pela completa alteração da percepção das “idades”, dos estágios da vida, seja porque hoje podemos migrar amplamente de uma área profissional a outra.
Vejo como isso é verdadeiro ao acompanhar os meus pais, que estão na casa dos 60 e são super pra frentex. Ambos aparentam bem menos idade. Meu pai sempre praticou alguma atividade física; minha mãe sempre se cuidou com milhares de creminhos; e meu pai se tornou um adepto na faixa dos cinqüenta; minha mãe pratica pilates; ambos são aposentados e continuam completamente ativos, rabalhando muito. Minha mãe, na casa dos cinqüenta, foi aprender a arte da panificação, da elaboração de salgados, doces, tortas e outras delícias; pra diversificar, alternando com a sua atividade de malharia e confecção. Meu pai, até ontem – literamente até ontem – viajava pelo país inteiro – literalmente pelo país in-tei-ro. E a partir de segunda passa a desempenhar nova atividade profissional, para a qual foi convidado – convidado!!! – aos 67 anos.
É emocionante vê-los vivenciando isso. Até sermos crescidas, a Tâmim e eu, eles é que tinham esse olhar para nós.  E olha que eu inventei moda. Fiz inglês, espanhol, alemão, italiano, francês, História da Arte, leitura dinâmica, natação, hidroginástica e outras coisas que nem me lembro mais. E queria um tigre e um cavalo, mas ganhei gatos e cachorros e um porquinho-da-índia e um hamster. E acompanharam nosso desenvolvimento e nossas escolhas. E depois de adultas chegou o tempo de devolver esse olhar e admirar o desenvolvimento deles e suas escolhas e força e dinamismo.
Observando o derredor vejo que esse fenômeno é corrente nessa faixa etária e até nas superiores. Estou pensando em alguns amigos que temos que também estão vivendo isso. A reinvenção profissional aos 50 e 60, a reinvenção pessoal aos 70, 80…
Sempre digo que quero chegar aos 80 igual a uma senhorinha que conhecemos. Recentemente fez uma cirurgia para colocar os dentes nos trinques; viaja, e muito, para o exterior; vai sozinha para a academia; até esses dias morava sozinha; e tem uma conversa super interessante.
Qual é a melhor idade? Com essa perspectiva, com o conforto de saber que nossa vida útil se ampliou em vários anos, é viver plenamente a idade presente, extrair de cada fase a sua plenitude máxima.
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2 comentários sobre “A melhor idade

  1. Patrícia, muito legal receber o teu comentário. É, creio que depende muito da nossa habilidade o construir cada fase da vida, lidando com aquilo que Deus nos apresenta e fazendo dos nossos limões limonadas… o que tenho aprendido é que cada fase tem seus prós e contras, suas belezas e percalços. Por isso que não dá pra ficar idealizando e esperando… Muito bom contar contigo aqui. Abraço.

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