É tudo tão simples, Danuza

Faz tempo que não posto nada sobre minhas leituras. Deve ser porque me coloquei a ler vááááários livros ao mesmo tempo e estou numa luta ferrenha para terminar cada um…
Mas o último livro da Danuza Leão, É tudo tão simples, li numa sentada, de uma vez só. Porque é leve, divertido, desencanado, descontraído… Me peguei várias vezes rindo sozinha, assim como me identifiquei muito com o pensamento dela para várias situações. E, claro, lá pelas tantas ela diz muitas verdades, daquelas que valem para todos.
Alguns trechos prediletos e alguns divertidos:
“Se você mora só, o fundamental é aprender a se curtir, a ficar em silêncio, a ser dona de seus pensamentos, de seus momentos. Mesmo que seja casada e tenha cinco filhos, arranje um tempo que seja só seu. Se for difícil, vá para a sala quando todos estiverem dormindo, acenda as luzes e usufrua dessa paz, todo mundo tem esse direito; para isso, ponha um sonífero no copo de água do seu marido. Maridos odeiam ver as mulheres sozinhas, pensando. Se você é casada, acorda com insônia às três da manhã, e resolve ir para a sala, ou beber um copo d’água na cozinha, TODOS os maridos do mundo acordam e perguntam: ‘Aonde você vai?’ Você responde qualquer coisa, e eles dizem: ‘Não demora, tá?’ Essa pergunta merece respostas do tipo: ‘vou jogar boliche’, ‘vou dar uma volta’, ‘vou ao dentista’ etc. Se eu não puder ficar sozinha, tenho um treco”. (p. 36-37)
“Vou confessar o que você já deve ter percebido: não faço parte da turma moderna. Mas, como sei que Ruy Castro, Ferreira Gullar e Woody Allen também não, estou em boa companhia; não tenho nem celular, nem smartphones como Blackberry ou iPhone, não tuíto, não pertenço à comunidade do Facebook, não tenho blog nem site; essas coisas estranhas, só conheço de ouvir falar. Gosto da minha privacidade, de ficar só, o que seria impossível se entrasse nas redes sociais, e quanto a mandar meus arquivos para a nuvem, prefiro que eles fiquem comigo, bem pertinho. Também não tenho nenhuma pressa em saber das novidades, se o ministro caiu, se foi presa a quadrilha de traficantes, se Kate e William vão ter um filho; se souber duas horas depois, minha vida não vai mudar em nada, e no peito dos não internautas, juro, também bate um coração”. (p. 75)
“Por essas coisas e várias outras, não me hospedo em casa de ninguém em lugar nenhum do mundo; se não puder pagar meu hotel, por mais modesto que seja, prefiro não ir. Também não hospedo ninguém, claro, só em caso de calamidade pública.
Uma vez me hospedei na casa de uma amiga, em Miami. Ela me perguntou: ‘O que é que você come de manhã? Porque aqui em casa não tem nada,’ Me senti tão bem, tão à vontade, que acho que à casa dela eu até voltaria”. (p. 98)
“Adoro essa programação boba; em viagem eu gosto de não ‘ter que’ nada, e sempre prefiro os bons momentos que tenho comigo a ver a mais fantástica obra de arte de um país remoto. Não sei se estou certa ou errada, e não estou dando conselhos. Cada um sabe o que privilegiar e fazer o que gosta de verdade, não indo nunca pela cabeça de ninguém, nem pela minha. Eu tenho a pretensão de passar por ‘local’, mas não adianta, sou sempre identificada como turista”. (p. 120)
“E que esse seja seu mantra: malas, restaurantes, lugares onde passar férias, relógios, sapatos, tudo, absolutamente tudo, se o mundo acha que está na moda, é porque não está mais”. (p. 130)
[Morar só] “Vai ter que aprender um monte de coisas: encarar um supermercado só comprando coisas bem fáceis, tipo iogurte, pão de forma, Polenguinho ou queijo fatiado – para não sujar a faca e ter que lavar -, frutas fáceis, como tangerinas, maçãs e uvas; biscoitos, Coca-Cola, e não muito mais que isso. Nem pense em coisas que precisam de panela, frigideira, gordura. Macarrão parece simples, mas é complicadíssimo: tem que ter escorredor, manteiga, sal, pimenta-do-reino, queijo ralado; e ainda saber quando está al dente; afinal, você não se mudou para brincar de casinha, mas para ser independente e não ter nenhum problema, só os que não pode evitar”. (p. 177).
Danuza me ganhou mesmo quando listou, dentre as coisas que não pode nem pensar em viver sem, seu advogado, que qualificou de “além de ser o máximo é meu amigo”, p. 138.
Pra quem quiser conferir mais uns comentários sobre o livro, leia Alessandra Garattoni, do ItGirls , e Aninha Miranda, do 2befashion .
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