Reflexões dos 35

Então é isso aí, os 35 chegaram… Fico lembrando de quando era adolescente e pensava nos 35 como uma data distante, perdida nas brumas do tempo. Verniz do tempo… expressão que gosto muito… O frescor que a passagem do tempo nos rouba de certa forma é compensado pela sofisticação que o verniz do tempo nos dá…

Olhando pra trás, digo que, ao contrário de muitos, me arrependo muito mais do que fiz do que daquilo que não fiz. Me arrependo de ter ficado mais tempo do que deveria, me arrependo de ter voltado as costas tão tarde, me arrependo de ter insistido com as pessoas erradas, me arrependo de ter aberto a porta da minha vida pra quem não valia a pena, me arrependo por ter acreditado que todas as pessoas são como a gente, me arrependo por ter acreditado nas palavras ao invés de ter prestado atenção nas atitudes. Perdi a fé na humanidade… Amarga aos 35 anos? Talvez…

Não dá pra ser feliz o tempo todo, não é? Então que sejamos gratos… Gratos pelo amor que nos preenche e torna melhores, pela família que temos, pelos amigos que colorem os nossos dias, pelos nossos bichinhos (ai que saudades de aninhar a minha gatinha no colo…), pelo alimento do corpo e da alma, pelo teto que nos abriga e pelas facilidades que nos amenizam os dias. E pelos momentos de felicidade que permeiam tudo isso.

Aos 35 já dá pra saber que mais vale o imperfeito feito que o perfeito não feito, lição aprendida a duras penas.

É bom chegar aqui e estar contente com o que vejo refletido no espelho, mesmo que sempre tenhamos o que melhorar. E satisfeita com o que emano de dentro pra fora, para os outros e para o mundo, por ver que a cada dia sou uma pessoa melhor.

Olhando pra frente, é bom ver um caminho permeado de infinitas possibilidades por mais 35 e 35 e 35 anos, quem sabe… Quando vejo a avó do meu cunhado – a D. Hilda, minha musa pra melhor idade -, que aos 90 anos faz Pilates, viaja pelo mundo, tem uma conversa inteligente e interessante sobre tudo quanto é assunto, tenho a prova de que o céu é o limite para o que podemos fazer.

Gosto de datas comemorativas, datas festivas, que nos fazem celebrar a vida e levantar a cabeça da nossa azáfama (palavrinha boa) diária, que nos enreda em sua trama enquanto nossos dias transcorrem. Elas permitem que nos pensemos e conheçamos e melhoremos.

Se me é dado formular um desejo hoje, que seja o de viver mais. Mais intensamente, por mais tempo. Mais tempo pra mim, mais tempo para os meus, mais tempo pra amar, pra viajar, pra ler, pra conviver, pra sentir e pra sorrir. E talvez pra recuperar a fé na humanidade…

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