Diário de Viagem – Itália – parte 9

Quando era adolescente gostava de subir no último andar lá de casa para ficar olhando a linha do horizonte, imaginando o que havia para lá de onde a vista alcançava.

Já naquela época sentia um anseio irrefreável de ganhar o mundo. Se vivesse na Antiguidade certamente quereria me juntar aos argonautas; ou aos grandes descobridores da Renascença. Que bom que hoje todos podemos empreender viagens de descoberta.
Acredito que, acima de tudo, ser italiano é um estado de espírito. Se você fala com as mãos e gritando, é meio caminho andado…
Essa viagem à Itália representou e representa muita coisa. A realização de um antigo sonho, por certo. Mas viajar é alimentar a alma, é abastecer o espírito. Impossível não se renovar.
Significou muito pra mim que muitas vezes tenham me confundido com uma autêntica italiana. Não porque não ame ser brasileira. Pelo contrário. Porém, isso ocorreu porque consegui incorporar perfeitamente o espírito daquele local que estava conhecendo, tornando-me também eu uma local. 
Além disso, viajar é um momento em que podemos ser apenas nós mesmos, bem como de nos importarmos em apenas viver o presente (thanks, teacher Anderson, pela conversation de hoje). Tempo de usar meu uniforme preferido, jeans, tênis e camiseta…
Por outro lado, viajar também viabiliza que valorizemos aquilo que temos, olhando à distância. Nossa família, nossos amigos, nossa casa, nosso trabalho… É maravilhoso ir, como é maravilhoso ter para onde e para quem voltar. Asas pra voar e raízes pra alimentar.
Nunca esqueci uma oportunidade em que conversava com meu pai sobre algum país, e ele me disse que eu teria querido nascer em outro lugar. Não, nunca quis. Viajar por outras paragens é uma necessidade vital, que preciso atender de tempos em tempos, pra acalmar e satisfazer meu espírito inquieto. É bom ver que, de certa forma, atingi meu objetivo de me tornar uma espécie de cidadã do mundo, na medida de minhas possibilidades e limitações.
Henry James, em Horas Italianas, falando sobre Veneza, diz “… o melhor de tudo é simplesmente estar ali. O único modo de você apreciar Veneza como ela merece é dar a ela a oportunidade de tocá-lo com frequência – deixar-se ficar e permanecer e voltar. O perigo é que você não se deixará ficar o suficiente”. Digo que isso vale para a Itália toda, não importa se Veneto, Lazio, Toscana, Campania ou o que for. Impossível não planejar o retorno; que se for como meu reencontro com Roma, será emocionante…
A Itália é pra quem ama História, Arte, Arquitetura, Geografia, Sociologia… E a beleza… Um caldeirão cultural efervescente caótico resultante da reunião de cidades seculares de diferentes origens e que muitas vezes guerrearam entre si mesmas. Muito charmoso… Quando lá não me furto de pensar que estou pisando solo de cultura milenar, como Roma, Pompéia e Verona…
A todos que me acompanharam nesse périplo italiano, o meu agradecimento; e o convite antecipado para participarem do próximo. 
Ainda publicarei uns dois posts de cunho menos poético e mais prático e ácido…
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