Diário de Viagem – Itália – malas e perdidos

Dicas práticas em viagem: você deve evitar ser dois tipos de pessoa: o chato, que ninguém quer por perto; e o perdido no mundo, que faz todo o grupo esperá-lo.

O chato é capaz de estragar o passeio de qualquer um. É aquele que reclama de tudo. Reclama porque está frio; reclama porque está quente; reclama de
acordar cedo; reclama se não viu tudo o que podia porque não acordou cedo; reclama que tudo é velho; reclama da comida…
Seguinte: ninguém vai morrer por não comer arroz e feijão por menos de duas semanas. E se quer tirar férias e comer arroz e feijão vai viajar pelo Brasil. Se quer tirar férias e erguer as pernas pra cima, vai te internar num resort do nordeste; não num grupo que vai virar outro país de ponta a cabeça em quinze dias. Se não quer ver velharia não te soca na Europa… Raciocínio lógico…
As pessoas são curiosas mesmo… Reclamam até do que é bom… Há quem adote esse hábito e depois não consiga mais se livrar… Quantas pessoas sonham uma vida inteira em viajar pra outro país e algumas dentre as que conseguem fazê-lo não enxergam o quanto são privilegiadas… 
Já dizia um velho “deitado”: em Roma, faça como os romanos. Se na Itália se come pasta, a legítima massa italiana, é o que vou comer. Afinal, quero viver o país… 
A Tâmim sabe que massa é a minha última escolha sempre. Nunca liguei muito pra massa, não. Mas na Itália comi todos os dias. Porque as refeições dos italianos são compostas de dois pratos, e o primeiro invariavelmente é pasta…
E se eu preciso comer muito, vou pegar o primeiro e o segundo pratos. Se não, tenho que saber que se quero um prato melhor servido devo escolher um segundo prato…
O que mais acho graça é que as pessoas vão para outro país, de cultura milenar, pra passar quinze dias, e acham que o país de cultura milenar é que deve se curvar à belezoca que está de passagem por quinze dias…
Outra coisa: pessoa, viagem de grupo pra conhecer tudo quanto é coisa é viagem pra pernear. E você está pagando em euro. Como disse uma colega de grupo, a sábia D. Aracy, “dormir em euro é muito caro”. Vai revirar tudo o que o tempo deixar…
Mas como me disse minha psicóloga Silvia, “mala faz parte de viagem”. As malas e os malas…
Categoria perdido no mundo: não me irrita tanto quanto o mala. Porque o perdido no mundo não age deliberadamente; está perdido no mundo.
Só que o perdido no mundo atrai a antipatia de todo o grupo, já que está sempre atrasado e nunca presta atenção nas instruções do guia; logo, volta e meia o grupo todo está à espera da pessoa alienada… Sem contar o risco de ser deixado pra trás…
Efeito colateral útil dos chatos e dos perdidos: aprimorar a virtude da paciência… Pela qual não sou exatamente conhecida…
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