A opressão do padrão e o que Davi tem a ver com isso

Hoje estava discutindo sobre a opressão do “padrão” que verte da nossa sociedade, do quanto somos compelidos a nos enquadrar dentro daquilo que é socialmente aceitável; principalmente nós, mulheres, no que se refere à aparência e ao que é considerado belo. Se os anúncios publicitários, a indústria da moda, as revistas, ditarem que agora o cabelo liso e laranja é o que há de mais hype, que o tipo de corpo valorizado é o anoréxico ou que as curvas voltaram a reinar, é esse “padrão” que estará impresso na alma e na mente das mulheres, bombardeadas diariamente com imagens e palavras que remetem ao tal “padrão”, fazendo com que aquelas que não podem ostentá-lo em seus corpos se sintam inadequadas.

Mas isso vai além. O que é bacana agora é conhecer tal lugar. O que é show é ter uma casa em tal lugar. Legal mesmo é o carro “X”. E se o seu sonho for conhecer o lugar que é o menos badalado do mundo? E se você quiser ter um apartamento numa cidadezinha do interior? E se você é feliz tendo o carro “y”.
É muito difícil estarmos alertas para não cairmos nessa verdadeira esparrela, porque estamos expostos a isso tudo o tempo todo.
E aí vejo uma imagem na televisão da luta entre Davi e Golias e me lembro de um trecho da Palavra. Em 1 Samuel 17, 38-40 se lê que Saul, o rei de Israel, homem de guerra, vestiu sua armadura em Davi e mais uma couraça, bem como colocou um capacete de bronze sobre sua cabeça. E que Davi cingiu a espada sobre a armadura e tentou andar, já que tudo aquilo era novidade pra ele. E Davi teve a sabedoria de deixar todos aqueles apetrechos de lado, justificando que não poderia andar com aquilo, pois nunca os tinha usado. E foi lutar com Golias com aquilo que era do seu estilo: sua funda, cinco pedras lisas do ribeiro, que guardou em seu alforje de pastor, que estava em seu surrão.
Diz que o surrão é uma espécie de sacola grande de couro que os pastores costumavam usar.
Davi, àquela época, ainda era um pastor de ovelhas. Então se vê que ele foi enfrentar o gigante com aquilo que fazia parte da sua realidade. Em nenhum momento ele quis ser ou parecer tal e qual Saul ou seus guerreiros. Davi aceitava quem era, e não tinha nenhum problema com isso. Se ele insistisse em enfrentar Golias como um guerreiro, ele não seria um, apenas pareceria um, e bem deslocado e inadequado.
É isso o que queremos pra nós? Lutar para parecer alguém que não somos? Por que não extraímos o que há de melhor em nós, dentro do que cada um é? Por que nos contentamos em não sermos a plenitude daquilo a que fomos destinados a ser?
Ora, Saul tentou fazer com que Davi se enquadrasse no “padrão” esperado para ir lutar contra Golias. Que se parecesse com ele e seus homens.
Davi não teve medo de ser ele mesmo. Pelo contrário. E foi exatamente o fato de ele ser tão diferente dos demais – principalmente no que se refere à sua confiança, devoção e temor a Deus – que o levou à vitória.
Isso não quer dizer que não vamos mudar ao longo da vida, de acordo com o que ela nos for reservando viver. Depois Davi se tornou um guerreiro e rei de Israel, empunhando uma espada e vestindo uma armadura. Mas isso estava dentro da realidade que ele estava vivendo. Quando ele foi pastor, ele foi pastor. Quando ele foi rei e guerreiro, ele foi rei e guerreiro. E quando ele foi lutar enquanto ainda era pastor, ele foi pastor. Davi sempre foi verdadeiro, sempre foi fiel ao que ele era. Ele teve o discernimento necessário para compreender que não venceria o gigante sendo uma cópia de outrem, mas só o venceria sendo ele mesmo.
É esse mesmo discernimento que precisamos ter hoje, a fim de vencermos os nossos gigantes. Tentando ser quem não somos, tentando apenas parecer com os outros, dando ouvidos às vozes que querem nos fazer mais um dentre tantos, não os venceremos. Esse é um caminho certo pra derrota.
Quem é você hoje? O que você precisa fazer pra viver a sua plenitude? Que vozes precisa calar no seu interior, que te querem uma cópia daquilo que for mais comum nesse mundo?
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