Mudanças de vida que valem a pena

Já há um tempo quero escrever sobre as mudanças que tenho feito em minha vida, porque esse relato pode ser de alguma forma útil para alguém que esteja passando pelos mesmos problemas de saúde pelos quais passei e que ainda luto para manter sob controle.

Desde adolescente tive disfunções de tireoide. Primeiro hipertiroidismo, que depois de tratado virou hipotireoidismo. Então há mais de vinte anos faço suplementação do que a minha tireoide não produz.

Desde adolescente também luto com o meu peso. Sempre gostei de doces, e meu metabolismo tende a ser bem lento, justamente por conta do hipotireoidismo.

Em 2014 o meu quadro ficou pior. Passei a me sentir realmente exausta. O endocrinologista no qual eu ia na época me disse que eu me assemelhava a um carro que estivesse ficando sem combustível, porque meu metabolismo era muito lento; e que eu devia ter síndrome metabólica, pelas alterações que os meus exames estavam apresentando. E que seria praticamente impossível mudar esse quadro.

Lá pelas tantas, no ano passado decidi me consultar com uma nutróloga, pra ouvir uma segunda opinião. Sempre fui anêmica crônica, não fixo o ferro. Achei importante ouvir alguém da área da Nutrologia sobre isso.

E foi com a nutróloga que descobri que não fixo várias vitaminas, além do ferro. Passei a tomar vitamina B12, C, B1 e B5, e o ferro. E a acertar a dosagem dos hormônios da tireoide.

A essa altura já estava até com dificuldade pra levantar da cama de manhã. A sensação que eu tinha era a de estar eternamente à beira de um desmaio. Era realmente como se estivesse desligando, como se fosse ficar sem combustível.

Aos poucos fui me sentindo bem melhor. Mas ainda comia bastante errado. Nesse ínterim descobri ser intolerante a glúten, e passei a comer muito pão de queijo e cookies sem glúten, achando que assim estaria fazendo um bem pra minha alimentação, já que estava evitando o que me fazia mal.

Até então estava sem fazer atividade física. Em março desse ano decidir começar a praticar pilates. Me fez muito bem.

Comecei a me incomodar com as cobranças da minha nutróloga, quando das minhas consultas mensais, a respeito do meu peso, e de que deveria mudar a minha alimentação.

Decidi, então, procurar uma nutricionista em maio.

Foi a partir daí que senti uma grande diferença na minha disposição e na minha condição.

Foi muito difícil saber que estava com 46% de gordura, e foi muito difícil ouvir que era forte candidata a ter um ataque cardíaco por conta disso, na casa dos trinta anos.

Mudei completamente a minha alimentação, e meu percentual de gordura  já está bem mais aceitável. Já mandei embora muita gordura.

Minha nutricionista começou a me incentivar a praticar musculação. A ir pra academia.

Relutei um tempo. O meu habitat natural são as livrarias e as bibliotecas. Sabia que ia me sentir um peixe fora d’água…

Mas não me dei por vencida. Minha estratégia foi a de, pela primeira vez, chamar um personal. É ele quem me faz sentir confortável na academia, é ele quem me traduz o ambiente.


Há dias em que é bastante difícil levantar da cama pra ir treinar. Nunca curti acordar cedo, e agora levanto às 5:30 da manhã de segunda a sexta. Mas a recompensa, que é o bem estar, que é saber que estou fazendo algo muito bom por mim, faz valer muito a pena, me motiva a seguir em frente. O fato de o meu corpo responder muito rápido à musculação também ajuda. E de me ver fazendo coisas que achava que seriam impossíveis.

A parte que achei que seria a mais difícil, que era a da alimentação, acabou se revelando tranquila. É claro, demanda bastante planejamento, envolvimento e preparação. Mas saber que estou comendo de forma bem saudável é o meu pagamento. Compensa bem os doces que deixei de comer.


Mais um detalhe: antes de começar a treinar a sério, fui procurar um médico do esporte, que também é ortopedista. Tenho escoliose congênita, e uma série de coisinhas em decorrência disso. Assim, fiz uma bateria de exames antes de começar, e ainda tive que complementá-los nesse final de semana. 

Por que estou falando sobre tudo isso?

Primeiro, porque estou imensamente feliz com toda essa mudança de vida.

Segundo, porque se eu estou fazendo isso, de comer corretamente e colocar atividade física na minha vida diária, qualquer “pessoa média” pode fazê-lo. Tenho disfunções metabólicas, intolerância a glúten, problemas de coluna, quadril, ombro, joelho e pé, e amava comer doces. Se eu faço, qualquer pessoa média pode fazer. Quero que esse relato sirva de estímulo e encorajamento pra quem esteja na mesma condição.

O que posso dar de dicas?

1. Se sentir que não vai conseguir sozinho(a), procure um profissional pra te ajudar. Não saberia dos meus problemas com vitaminas se não tivesse ido a uma nutróloga, não estaria comendo corretamente se não tivesse ido a uma nutricionista, não estaria na academia sem o meu personal.
2. Não basta procurar um profissional, tem que ser alguém que tenha a ver contigo, com quem se tenha empatia.

3. Antes de começar uma atividade física, procure um médico do esporte. Principalmente se estiver totalmente sedentário(a) e já tiver um histórico de alguns probleminhas.

Ainda não cheguei onde quero; porém, a própria jornada pra chegar lá está sendo muito prazerosa. E se esse texto puder ajudar alguém que esteja na mesma situação em que já estive, terá cumprido seu propósito.

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