Valor agregado

Esse ano fiz um exercício muito legal agora no Natal: eu realmente me esforcei muito pra acertar os presentes que dei.

Foram poucas as pessoas que presenteei, somente aquelas que realmente tem parte significativa no meu dia a dia.

Também não estou falando de valores astronômicos.

Não.

Quis dizer que realmente parei e pensei no que aquela pessoa gostaria de ganhar, o que combinaria com ela, o que faria seus olhos brilharem, e comprei tudo com antecedência.

Em anos pretéritos também dei presentes bacanas. Mas não se trata disso. Foi de enxergar cada pessoa, prestar atenção em alguma coisa que ela disse que gostaria de ter ou comprar, ou saber exatamente o que casaria com ela.

Foi tão gratificante, mas tão gratificante ver a alegria e a satisfação dos meus presenteados que foi como se eu também estivesse ganhando um presente naquele momento.

Os presentes que ganhei também tinham esse traço, de quem me presenteou me dizer que viu aquele objeto e lembrou de mim, achou a minha cara. Como de fato foi.

Pra mim isso agregou um valor inestimável ao que ganhei, assim como sei que também agregou um valor inestimável àquilo que dei.

Louca pra repetir a experiência no próximo ano.

O vício em açúcar 

Costumo ouvir muito que sou xiita em relação à dieta; o que significa que não como nada fora do que está prescrito.

Na verdade, o que tenho pra dizer é que não estou de dieta. Mudei minha vida, meu estilo de vida. E em busca de saúde.

Acontece que o açúcar vicia. Sim, o açúcar vicia. E eu sou alguém que pode falar sobre isso de cadeira.

Açúcar não é diferente do álcool, das drogas, do cigarro, gente. Uma vez viciado naquilo ali, você quer comer açúcar todos os dias, você sofre com a abstinência, se você tem em casa você fica pensando no raio da coisa com açúcar até comer tudo até o final. É simples assim.

Quem fala isso é alguém que conseguia comer praticamente uma caixa de bombom de uma vez só, quase uma lata de leite condensado de uma vez só… e o restinho ia logo em seguida, não durava muito tempo pra contar a história. Uma barra de chocolate chega a ser brincadeira pra quem é capaz de comer uma caixa de bombom…

O negócio com açúcar é como com os Alcoólicos Anônimos: uma dia de cada vez. Mais um dia sem açúcar. E mais um dia sem açúcar. E por aí vai…

Eu procuro, sim, me manter dentro daquilo que a minha nova vida me permite. Como diz na Palavra, “todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convém”. É isso. Eu posso comer qualquer coisa que vir pela frente. Mas nem todas elas me convém. Por que vou provocar algo que domei com muito custo?

Não sei o que provoca essa fissura por doce. Acho que o fator genético é bem forte. Meu pai e o lado dele da família sempre foram formigas. Então tu já tem uma predileção pelo doce, e aí entra a dependência, porque quanto mais come, mais quer comer.

Quer dizer que tu não vai mais socializar? Não, não quer dizer. Quer dizer que não necessariamente vou comer quando estiver socializando. Ou vou fazer opções dentro daquilo que costumo comer. Ou efetivamente vou comer eventualmente algo fora das minhas opções. Simples.

Sempre admirei essas pessoas vara pau que comem praticamente um boi e não ganham um grama. Infelizmente não faço parte desse time. Se eu respirar mais fundo, tomar um copo d’água e não fizer exercícios, vou engordar. E viva a diversidade!!! De padrões e de metabolismos…

Então tive que aprender a fazer o melhor com o corpo e o metabolismo que Deus me deu. Mesmo que isso signifique me privar de alguma comida que me dá prazer, mas não me traz benefício. Como o açúcar.

E sim, eu ainda como coisas fora daquilo que está prescrito; desde que fiquem dentro daquilo que vivo agora.

Exemplo: meu doce preferido atualmente é da Mais Fit. Que não tem açúcar.


Ah, é igual aos feitos com leite condensado? Não. Mas é melhor do que não comer nada quando dá vontade de se recompensar no final de semana. E é gostoso, sim.

Também invento umas misturinhas, ou testo receitas dos outros. Como esse mingau de aveia com whey, morangos e calda zero tudo – que, tenho que dizer, ficou delícia:


Isso é whey, farinha de amendoim e calda de doce de leite zero:


Bolo fit de paçoca:


Ou algum doce pronto:


Ou um smoothie da Flex:


Só que nada disso tem açúcar. Porque nem tudo que é bom faz bem.

Se eu sou mais feliz hoje ou era mais feliz antes? Hoje, disparado. Minha saúde, minha qualidade de vida, melhoraram muito, e agradecem. E eu continuo comendo coisas gostosas.

Acho que uma coisa essencial de passar é isso: não é sacrifício nenhum comer corretamente. Não se deixa de comer o que é gostoso. Só cortei o que me fazia mal.

Se eu fosse ouvir cada pessoa que me diz “só hoje pode, não vai fazer mal”, ainda seria uma viciada em açúcar.

Vou seguir dizendo não “só por hoje”, “só por hoje”…

UPDATE:

Umas horas depois estava folheando digitalmente revistas femininas no GoRead quando deparei com isso na Boa Forma:


Produzir mais em menos tempo

Ontem finalizei um curso à noite; então cheguei em casa por volta das 23 horas.

Aí é que fui completar a louça suja na máquina e colocá-la pra lavar; fazer arroz pra deixar pronto para o almoço de hoje; fazer omelete para o jantar e efetivamente jantar; dar comida para o Theodoro; levar o lixo para baixo; cozinhar o lanche da manhã e o da tarde de hoje; lavar a louça que restou dessa bagunça; passar café pra estar pronto hoje cedo; tomar meus remédios; e ainda me arrumar para dormir.

Cansativo? Muito… 

Quando vamos nos liberar de duplas, triplas jornadas? A julgar como as coisas vão, não vamos. Vamos ter é que aprender a ser cada vez mais versáteis e a produzir mais em menos tempo…

Look do Dia

Levei muito tempo pra descobrir meu estilo. Tenho consciência que estilo é algo que se aprimora, até porque a moda e as opções estão sempre mudando. Mas é importante ter uma base do que se gosta é de quem se é.

E levei muito tempo pra me “soltar” e me aceitar, pra me entender. Acredito que essa fase que estamos vivendo, de uma valorização da individualidade e da quebra de padrões, tem ajudado muito nisso.

Foi só então que comecei a registrar as minhas escolhas de moda e de estilo:






Tem sido muito bom esse exercício de registrar o que gosto.

Li uma blogueira dizendo que acha muito cansativo esses registros de look do dia, mas entendo que temos que colocar um filtro aí. Talvez seja cansativo quando é pra vender as marcas; quando ajuda nesse processo de “libertação” e de compreensão de si mesmo, pra mim é muito válido.

Tô velha – sou do tempo em que ninguém tinha telefone fixo 

Esses dias estava com os meus pais e analisando que todos estávamos lidando com nossos celulares.

E lá pelas tantas lembrei de quando o nosso telefone fixo foi instalado, lá no tempo em que eu era criança.

Sim, gente, sou do tempo em que se fazia a solicitação do telefone fixo pra antiga CRT – Companhia Rio-Grandense de Telecomunicações, e às vezes se aguardava alguns anos até ter o dito cujo instalado. Quem tinha telefone fixo era fino… (kkk…)

Lembro do dia em que foram instalar o tal telefone lá em casa. Foi um acontecimento.

E daí lembro do meu pai me xingando, quando era adolescente, que o telefone não era pra ficar de papo, era pra usar quando necessário.

E milênios depois, quando veio o celular, novamente, quem tinha um era fino… minha irmã ganhou um antes, porque morava fora, pra poder se comunicar mais fácil.

E agora cada um tem seu próprio smartphone, em que o que menos se faz é falar no telefone.

Fui numa palestra essa semana do Tallis Gomes, criador dos apps Easy Táxi e Singu. E ele mencionou esse assunto, que a gurizada de hoje muito mais se comunica por WhatsApp, e que inclusive fica nervosa por conversar ao telefone. Mais uma transformação acontecendo. Fiquei pensando que eu também prefiro as mensagens do que falar ao telefone. O fixo em casa nem atendo mais…

Me senti meio jurássica, né, porque nasci num mundo em que não existia telefone fixo em casa; mas fiquei feliz de estar acompanhando a tendência e preferir as mensagens (kkkk). Fiquei mais feliz ainda de os meus pais estarem uptodate também. Eles que são do tempo em que não existia televisão, e hoje podemos cada um escolher o que assistir na palma da mão.

Mudanças de vida que valem a pena

Já há um tempo quero escrever sobre as mudanças que tenho feito em minha vida, porque esse relato pode ser de alguma forma útil para alguém que esteja passando pelos mesmos problemas de saúde pelos quais passei e que ainda luto para manter sob controle.

Desde adolescente tive disfunções de tireoide. Primeiro hipertiroidismo, que depois de tratado virou hipotireoidismo. Então há mais de vinte anos faço suplementação do que a minha tireoide não produz.

Desde adolescente também luto com o meu peso. Sempre gostei de doces, e meu metabolismo tende a ser bem lento, justamente por conta do hipotireoidismo.

Em 2014 o meu quadro ficou pior. Passei a me sentir realmente exausta. O endocrinologista no qual eu ia na época me disse que eu me assemelhava a um carro que estivesse ficando sem combustível, porque meu metabolismo era muito lento; e que eu devia ter síndrome metabólica, pelas alterações que os meus exames estavam apresentando. E que seria praticamente impossível mudar esse quadro.

Lá pelas tantas, no ano passado decidi me consultar com uma nutróloga, pra ouvir uma segunda opinião. Sempre fui anêmica crônica, não fixo o ferro. Achei importante ouvir alguém da área da Nutrologia sobre isso.

E foi com a nutróloga que descobri que não fixo várias vitaminas, além do ferro. Passei a tomar vitamina B12, C, B1 e B5, e o ferro. E a acertar a dosagem dos hormônios da tireoide.

A essa altura já estava até com dificuldade pra levantar da cama de manhã. A sensação que eu tinha era a de estar eternamente à beira de um desmaio. Era realmente como se estivesse desligando, como se fosse ficar sem combustível.

Aos poucos fui me sentindo bem melhor. Mas ainda comia bastante errado. Nesse ínterim descobri ser intolerante a glúten, e passei a comer muito pão de queijo e cookies sem glúten, achando que assim estaria fazendo um bem pra minha alimentação, já que estava evitando o que me fazia mal.

Até então estava sem fazer atividade física. Em março desse ano decidir começar a praticar pilates. Me fez muito bem.

Comecei a me incomodar com as cobranças da minha nutróloga, quando das minhas consultas mensais, a respeito do meu peso, e de que deveria mudar a minha alimentação.

Decidi, então, procurar uma nutricionista em maio.

Foi a partir daí que senti uma grande diferença na minha disposição e na minha condição.

Foi muito difícil saber que estava com 46% de gordura, e foi muito difícil ouvir que era forte candidata a ter um ataque cardíaco por conta disso, na casa dos trinta anos.

Mudei completamente a minha alimentação, e meu percentual de gordura  já está bem mais aceitável. Já mandei embora muita gordura.

Minha nutricionista começou a me incentivar a praticar musculação. A ir pra academia.

Relutei um tempo. O meu habitat natural são as livrarias e as bibliotecas. Sabia que ia me sentir um peixe fora d’água…

Mas não me dei por vencida. Minha estratégia foi a de, pela primeira vez, chamar um personal. É ele quem me faz sentir confortável na academia, é ele quem me traduz o ambiente.


Há dias em que é bastante difícil levantar da cama pra ir treinar. Nunca curti acordar cedo, e agora levanto às 5:30 da manhã de segunda a sexta. Mas a recompensa, que é o bem estar, que é saber que estou fazendo algo muito bom por mim, faz valer muito a pena, me motiva a seguir em frente. O fato de o meu corpo responder muito rápido à musculação também ajuda. E de me ver fazendo coisas que achava que seriam impossíveis.

A parte que achei que seria a mais difícil, que era a da alimentação, acabou se revelando tranquila. É claro, demanda bastante planejamento, envolvimento e preparação. Mas saber que estou comendo de forma bem saudável é o meu pagamento. Compensa bem os doces que deixei de comer.


Mais um detalhe: antes de começar a treinar a sério, fui procurar um médico do esporte, que também é ortopedista. Tenho escoliose congênita, e uma série de coisinhas em decorrência disso. Assim, fiz uma bateria de exames antes de começar, e ainda tive que complementá-los nesse final de semana. 

Por que estou falando sobre tudo isso?

Primeiro, porque estou imensamente feliz com toda essa mudança de vida.

Segundo, porque se eu estou fazendo isso, de comer corretamente e colocar atividade física na minha vida diária, qualquer “pessoa média” pode fazê-lo. Tenho disfunções metabólicas, intolerância a glúten, problemas de coluna, quadril, ombro, joelho e pé, e amava comer doces. Se eu faço, qualquer pessoa média pode fazer. Quero que esse relato sirva de estímulo e encorajamento pra quem esteja na mesma condição.

O que posso dar de dicas?

1. Se sentir que não vai conseguir sozinho(a), procure um profissional pra te ajudar. Não saberia dos meus problemas com vitaminas se não tivesse ido a uma nutróloga, não estaria comendo corretamente se não tivesse ido a uma nutricionista, não estaria na academia sem o meu personal.
2. Não basta procurar um profissional, tem que ser alguém que tenha a ver contigo, com quem se tenha empatia.

3. Antes de começar uma atividade física, procure um médico do esporte. Principalmente se estiver totalmente sedentário(a) e já tiver um histórico de alguns probleminhas.

Ainda não cheguei onde quero; porém, a própria jornada pra chegar lá está sendo muito prazerosa. E se esse texto puder ajudar alguém que esteja na mesma situação em que já estive, terá cumprido seu propósito.

O que estamos fazendo das nossas experiências?

Dia desses estava em Maceió e fomos jantar em um restaurante próximo do hotel.

Como íamos a pé, deixei bolsa e celular e tudo no hotel, acostumada com a violência urbana de Porto Alegre.

E aí veio aquele prato lindo e fantástico com camarões imensos e brilhantes. E o garçom ficou esperando pra servir. E nada. E dali a pouco ele perguntou se não íamos fazer foto do prato. E ninguém estava com celular, e ok.

Mas eu fiquei pensando nesse negócio. 

Hoje registramos e postamos e compartilhamos praticamente tudo o que nos acontece. Não apenas experienciamos mais as coisas.

E não estou me excluindo. Sou uma adepta ferrenha do Instagram.

Porém, fiquei me lembrando de coisas que vivi e que não têm registro e que nunca vou esquecer.

Nunca vou esquecer o senhor da loja do mercado em Jerusalém, que me vendeu um colar de 250 dólares por 50, de tanto que eu tinha amado aquela peça linda. E não vou esquecê-lo por causa das circunstâncias. Não foi uma barganha. Ele viu o quanto tinha gostado, me perguntou do que eu tinha gostado, perguntei o preço do colar, ele disse, eu disse que não era pra mim, ele me perguntou quanto eu podia gastar, eu repeti que não era pra mim, que só poderia gastar 50 dólares, e perguntei o que tinha por esse preço. E ele disse que queria que eu ficasse com o colar. Ele não só me enxergou, ele me viu.

Não vou me esquecer da Maria, a senhora que limpava um banheiro público em Amalfi. Eu traduzi pra ela, pro italiano, o que umas gurias, americanas, acho, estavam precisando. E ela ficou um tempão conversando comigo, contando coisas da cidade, da vida em Amalfi.

Não vou esquecer a vendedora de lenços de seda do mercado do porcellino, ou do garçom do Il David, ambos em Firenze, porque não acreditavam que eu não era uma legítima cidadã de Firenze.

Não vou esquecer do garçom do bar do hotel em Veneza, que veio me perguntar se eu tinha trocado de lugar porque tinha ficado constrangida porque ele estava me olhando – e eu tinha trocado de lugar pra um dos meus amigos ficar de frente pro telão e assistir ao futebol. E era uma pessoa educadíssima, que ficou conversando conosco um tempão.

Não vou esquecer a noite que passei no acampamento beduíno no deserto em Israel. Eu e Deus e milhares de estrelas pontilhando o céu no meio do deserto, com trilha sonora do Diante do Trono.

Não vou esquecer do rapaz que nos ajudou a comprar manteiga com sal no supermercado em Paris. Não vou esquecer o supermercado em Paris. Não vou esquecer o apartamento em Paris.

Jamais esquecerei a Maria José e família, no restaurante de quem passamos o Natal em Lisboa e com quem ainda temos contato. Ou o pequeno João Grande, nosso concierge no hotel, que preparou com todo carinho um café da manhã improvisado pra eu e a Tâmim não seguirmos viagem sem café.

Não esquecerei o guarda do Vaticano que veio me devolver o brinco que caiu quando passei no raio X da entrada da Basílica de São Pedro.

Nem do garçom do restaurante ao lado do nosso hotel em Roma, que socorreu a mim e à minha mãe com uma garrafa de água quando chegamos às 11 da noite pra fazer o check in em um hotel que não oferece nem café da manhã nem conveniências – mas que eu amo, o Panda. E ele nem quis cobrar pela água.

Não vou esquecer a nossa casa em Colonia del Sacramento. Não vou esquecer Colonia del Sacramento.

Não vou esquecer a reação da minha família nas catacumbas de Paris. E nem a frase do meu pai: “quando pensei que ia viver isso”.

Nada disso tem registro. Mas ficou registrado em mim.

Por mais momentos que sejam experiências que fiquem registradas na alma e no coração e que sejam tão extraordinárias que não nos deem tempo nem oportunidade pra nos preocuparmos de registrar de outra forma.